quarta-feira, 8 de maio de 2024

Entremeando o Tempo e a Leitura Clássica

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Nesta tarde de maio, paira no ar uma sensação de iminente mudança climática, prenunciada por um amanhecer de ventos vigorosos. Enquanto a máquina de lavar executa seu compasso rítmico com as roupas, este breve interstício revela-se o momento ideal para o refúgio da leitura.

Os romances de Tolstói são, de fato, um manancial de sabedoria e beleza, oferecendo lições profundas que ressoam na alma.

Minha jornada pelo universo dos Clássicos é relativamente recente, iniciada em 2020. Por muitos anos, fui alheia ao seu encanto, até o dia em que o destino colocou em minhas mãos um exemplar que, embora não fosse meu, há tempos jazia na estante. Aquele livro, "O Morro dos Ventos Uivantes", de Emily Brontë, foi o portal. A partir dele, seguiu-se "O Estrangeiro", de Albert Camus, e então a vida se transformou numa busca constante por essas obras atemporais. Hoje, dedico-me quase que exclusivamente aos Clássicos, e não pretendo desviar-me deste caminho enriquecedor.

Contudo, os deveres do lar chamam: as roupas aguardam o varal, e meus cães reclamam sua refeição. A leitura será pausada, com a promessa de ser retomada mais tarde, após o momento de oração e recolhimento.

Após o cumprimento dos afazeres e o apaziguamento do espírito pela prece, o retorno às páginas de um Clássico é mais do que um passatempo; é um ato de resistência. Numa era em que o efêmero domina, e a rapidez da informação nos instiga a consumir o novo sem refletir, eleger Tolstói ou Camus é buscar um ponto de ancoragem.

Essas obras, que sobreviveram a séculos e a modismos, oferecem o que a pressa moderna rouba: profundidade moral e o entendimento matizado da condição humana. Os Clássicos ensinam-nos que as grandes questões — o amor, a perda, a moral, o propósito — são perenes. Ao lê-los, não apenas fugimos da superficialidade do dia a dia, mas nos unimos a uma vasta comunidade de leitores através do tempo, que também buscaram conforto e instrução nas mesmas palavras. Eles são o sustento da alma num mundo que exige velocidade em detrimento da substância.

Considero-me, assim, uma pessoa profundamente privilegiada: rodeada pelo conforto da fé, pela companhia dos animais, pela serenidade das plantas e pela inesgotável riqueza dos livros atemporais. Este é o meu refúgio, o meu pequeno e vasto mundo de paz.

 

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